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Abertura da Colheita do Milho marca novo momento para a cultura no RS

23/01/2026

                        

A programação da 13ª Abertura Oficial da Colheita do Milho, encerrada nesta sexta-feira (23), contou com a presença do governador do estado na propriedade da família Sallet, que foi o palco da solenidade. Também estiveram no evento o secretário da Agricultura, Edivilson Brum, lideranças do setor produtivo e de proteínas, técnicos e produtores rurais. 

A abertura da colheita ocorre em um cenário de expansão da área cultivada no Rio Grande do Sul, com crescimento próximo de 10%. Atualmente, o milho é cultivado em 487 dos 497 municípios gaúchos. A produção total está estimada em 5,79 milhões de toneladas, crescimento de 9,45% em relação às 5,29 milhões de toneladas da safra anterior. O avanço é resultado, principalmente, do aumento da área plantada, que alcança 785.030 hectares, alta de 9,31% frente aos 718.190 hectares de 2024/2025. A produtividade média permanece estável, em torno de 7,3 toneladas por hectare.

A cultura do milho é fundamental para a produção de proteína animal no estado, sendo componente de maior volume da ração de aves, suínos e bovinos de leite. No entanto, o Rio Grande do Sul convive historicamente com um déficit estrutural na produção do grão. Enquanto a demanda interna somente para o abastecimento das cadeias de proteína supera os 6 milhões de toneladas anuais, a produção estadual muitas vezes oscila abaixo desse patamar devido a fatores climáticos. Esse cenário obriga as indústrias a buscarem o cereal em estados do Centro-Oeste ou em países vizinhos, o que eleva os custos logísticos e reduz a competitividade gaúcha.

Novas possibilidades

Durante a programação em São Borja, que começou na quinta-feira (22) com salão lotado no Parque de Exposições Serafim Vargas, foi apresentado um panorama de possibilidades para a cultura. O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, apresentou uma retrospectiva da cultura do milho nos últimos 20 anos. Segundo ele, para os produtores que registraram boas produtividades, o milho registrou melhor rentabilidade, maior até do que a soja. Da Luz disse ainda que o Rio Grande do Sul precisa viabilizar a produção de mais safras ao longo do ano, para viabilizar economicamente as propriedades. Para o economista, toda a tecnologia investida pelo produtor nas áreas retorna em produtividade, permitindo a diluição dos custos e a maior rentabilidade. 

Já o diretor da Brasoja, Antonio Sartori, palestrou sobre o panorama dos cereais no mundo. Conforme Sartori, uma nova realidade se descortina para o Rio Grande do Sul, especialmente com a implantação de usinas de etanol de cereais, o que pode mudar completamente a realidade para o produtor gaúcho. 

Outras palestras mostraram a evolução das tecnologias para a cultura, com novos produtos para o controle de pragas, biofertilizantes, e irrigação. A presença da secretária do Meio Ambiente, Marjorie Kaufmann foi um destaque no esclarecimento sobre a nova legislação sobre o uso da água, reservação em diferentes níveis de açudes e barramentos e a simplificação da concessão de licenças de operação. Para o diretor executivo do Sips, Rogério Kerber, que acompanhou as apresentações, a presença da secretária contribuiu para desmistificar alguns entendimentos equivocados sobre as possibilidades de reservação de água e as reais condições de atender às questões ambientais. 

Até meados de janeiro, aproximadamente 11% da área havia sido colhida. Os resultados iniciais são considerados regulares no Noroeste, com expectativa de melhores rendimentos nas demais regiões do Estado.
Irrigação

O milho é a cultura que melhor responde ao uso da irrigação, com possibilidade de rendimentos 60% a 80% superiores em comparação às lavouras de sequeiro. Na região das Missões e no Noroeste, municípios como São Borja, São Luiz Gonzaga, Palmeira das Missões, Cruz Alta e São Miguel das Missões concentram as maiores áreas de milho irrigado. A área irrigada da cultura vem crescendo e, na safra passada, somou 117 mil hectares, com produtividade média de 11 mil quilos por hectare. Esse resultado foi 63% superior à média das lavouras de sequeiro. Já os municípios de Bom Jesus, Muitos Capões, Vacaria e Venâncio Aires se destacam na produção de milho sem o uso de irrigação.

Mercado e desafios

O setor enfrenta desafios como o alto custo de produção, a oscilação dos preços e a incidência de pragas, especialmente a cigarrinha-do-milho. O preço médio da saca no Estado está em torno de R$ 62, abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. O Rio Grande do Sul consome cerca de 7 milhões de toneladas de milho por ano e mantém um déficit estrutural de produção. Por isso, precisa importar grãos de outros Estados e países. Em 2024, essas aquisições resultaram em uma evasão estimada de R$ 3 bilhões da economia gaúcha.

A cultura do milho integra as ações do governo do Estado voltadas ao fortalecimento da produção agropecuária, à difusão de tecnologias, à promoção da sustentabilidade e ao desenvolvimento regional. O evento reúne produtores, técnicos, entidades e gestores públicos.


Texto: Thais D’Avila com apoio de informações da Secom
Foto: Vitor Rosa/Secom